Estava determinada a encontrar uma
simples e tradicional saia jeans. Com esse objetivo, fui a uma loja de
departamento (dessas em que necessariamente tens que pedir aos vendedores
numerações de peças, etc) de um shopping da cidade. Entrei na loja, uma
vendedora se apresentou, perguntou o que eu desejava e me encaminhou até a arara
que continha as tais saias. Olhei atentamente e selecionei duas para pedir minha
numeração. A loja estava vazia e quase todos os vendedores estavam parados, bem
próximo à entrada principal. Perdi de vista a vendedora que tinha me alcançado
as peças; então, pedi a outro rapaz que estava por ali, calmamente dobrando
camisas. Disse a ele que precisava da numeração X. Ele perguntou quem estava me
atendendo e eu respondi que era uma menina de cabelo tal que havia sumido. Ele
confirmou a numeração que eu queria e pediu licença e foi conferir no estoque.
Fiquei por ali olhando outras coisinhas enquanto observava que o rapaz levou as
peças até o balcão do caixa e se dirigiu até a entrada da loja e perguntou aos
outros vendedores ali parados onde estava a Fulana de Tal, a que havia iniciado
o meu atendimento. A moça reaparece, me pergunta
qual é a numeração que eu preciso. Digo que preciso da numeração X e ela
se dirige até a arara que eu havia selecionado as tais peças. Disse a ela que
obviamente já tinha olhado e que ali, exposta, não havia nenhuma. Ela então
volta até o caixa com as peças em mãos, entra no sistema para ver se tem em
estoque e então, finalmente, descobre que não há mais peças daqueles modelos.
Essa conclusão, a de que não havia a numeração que eu precisava, tirei da
observação dos gestos e da linguagem corporal da moça; não ouvi ela dizer nada
nem coisa parecida. Pois bem, ela começou a se dirigir até onde eu estava, com
as saias em mãos e em alto e bom som disse: “Não tenho 42 de nenhuma dessas peças. Só tenho 38, 40 e
44. Não quer provar mesmo assim?”
Será que eu é que sou sensível
demais ou ela é que não tem tato algum?
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Primeiro aspecto a considerar:
vendedor que se apresenta e some está contando que o cliente “vá se achar” na
loja. Ora, o cliente só poderá fazer um auto-atendimento se
dispuser de quantidade e variedade de numeração das peças à venda. Do contrário,
o vendedor terá de estar por perto, visto que encontrá-lo em um ponto-de-venda
de grandes dimensões, como costumam ser essas lojas, não é nada fácil. A loja
precisa decidir-se se é uma loja de auto-atendimento ou que conta com
assistência full time ao cliente. Meio-termo não funciona.
Segundo: vendedores e gerentes podem
se preocupar com a divisão de comissões de venda ou com a vez de atender. Mas
isso é uma questão interna, que pouco interessa ao cliente. Este quer apenas que
seu problema seja resolvido. Por isso, salta aos olhos uma
falha na arquitetura do atendimento desta loja – ou seja, o
fluxo de atividades de atenção ao cliente. Não é porque foi o vendedor X que deu
o primeiro "oi" ao cliente que apenas o vendedor X poderá auxiliá-lo. Fica
notório que o sistema de comissionamento faz com que a equipe
se comporte de maneira individualista, ao invés de se preocupar
com o cliente, como deveria ser. “O cliente é que se adapte ao
nosso sistema”, parecem dizer.
Por fim, não custa lembrar:
sensibilidade é tudo! Sendo a pessoa magra ou gorda, somos humanos e, quase que
por conseqüência, complexos. Uma mulher pode vestir 38 e ter vergonha disso. Não
importa o que esteja sendo vendido, não sabemos quão sensível aquele tipo de
produto ou aquela compra é para o cliente. Então, há que se manter a
discrição, sempre – principalmente quando atributos como tamanho de
roupa, idade etc. estão em jogo.
Sim, já aconteceu comigo, pedi tamanho M, a vendedora falou:
ResponderExcluir“meu anjo só tenho tamanho GG, experimenta, não custa” .
Fiquei estupefata como falava minha mãe, mas que falta de respeito, de tato de tudo!
Comigo aconteceu e foi pior ainda: a vendedora disse:" pois é, ou a gente emagrece ou não tem jeito". Fiquei indignada...os vendedores só querem nos empurrar as coisas, é lamentável...
ResponderExcluirCarla
legal o post. Assunto não vai faltar sobre atendimentos ruins. Infelizmente é só o que temos visto, especialmente no comércio
ResponderExcluirAcho engraçado mesmo essas lojas que são enormes, tentam ser butikes, com poucas peças expostas, e com vendedores inexperientes. São todos lindos, moderninhos mas não tem a menor postura. Fora que é complicado não teras peças por ali, pra tudo tem que chamar um deles,é complicado pra quem tem pressa e quer realmente comprar...
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