domingo, 3 de junho de 2012

Lugares para descansar. Será?

Resorts são lugares perfeitos para relaxar e esquecer do mundo, certo? Nem sempre. Alguns parecem fazer questão de envolver o hóspede em atividades nas quais ele nem sempre está interessado em participar. Vejamos dois casos.
O primeiro, no litoral de São Paulo, contava com uma estrutura excelente e bom serviço. Nele, havia uma recreacionista, responsável por criar brincadeiras para as crianças e aulas de hidroginástica para adultos. Ela insistia de forma desconcertante para que os hóspedes participassem da aula de hidroginástica, que começaria logo após uma gincana entre crianças. A recreacionista passou de mesa em mesa, convidando as pessoas a participarem. Até aí, tudo bem. O problema era que, para as que recusavam, ela insistia; e, diante da negativa, fazia um comentário constrangedor: "quando terminar o jogo das crianças e eu tiver que escolher a equipe vencedora, vou te chamar para ser o jurado. Vou colocar no teu, hein!! Não quer vir para a aula, então vai ser jurado!".
Outro resort, na Bahia, definitivamente não é voltado para que o hóspede tenha paz. Os funcionários são treinados para enturmarem-se com os hóspedes, puxando papo, chamando para as atividades e sentando com eles nas amplas mesas para as refeições (!!!) A tentativa de aproximação manifesta-se em todos os locais do resort - na piscina, até uma dancinha de saudação ao sol é feita para definitivamente terminar com o sossego de quem se hospeda com essa intenção.

No primeiro caso, há uma falha de postura da profissional. Duas, mais especificamente. Convidar os hóspedes a participar das atividades é perfeitamente normal e aceitável; insistir, de jeito nenhum. Esse é o primeiro erro. O segundo, mais grave, tem a ver com postura. Uma coisa é ser informal; a outra, vulgar e mal educado. “Vou colocar no teu” não é vocabulário profissional em lugar algum, seja ele mais descontraído ou não.
No segundo caso, o erro é de concepção de atendimento, por parte do hotel. De alguns anos para cá, formou-se a convicção de que às pessoas não bastava desfrutarem de um serviço; elas precisavam ser socializadas, sentido-se mais do que hóspedes. O resultado, nesse caso, acabou não sendo a socialização, e sim a importunação. Que existam funcionários para criar atividades e atender pedidos de hóspedes, perfeito. Que finjam intimidade e se metam na rotina do cliente, de modo algum.
Num caso ou noutro, fica clara uma mudança no perfil dos hotéis. Antigamente, ser solícito e prestativo eram os requisitos para trabalhar em bons hotéis. Hoje, exige-se um pouco de espírito de “animador de auditório” de alguns funcionários, especialmente em resorts-destino – aqueles em que as pessoas vão exclusivamente pelo local, e não pela cidade ou região. É compreensível que devam existir atividades para que os hóspedes não se entediem. Porém, pior que o tédio, é o aborrecimento de se ver o tempo todo convocado a fazer o que não se quer ou conversar com quem não se conhece – exigências típicas da vida profissional da qual todos procuram fugir quando se dirigem a um resort.

2 comentários:

  1. Já tive uma experiência parecida e sempre fico desconfiada desses resorts. É complicado apostar todas as fichas num local só, sem poder contar com nada em volta, sem ter paisagens e passeios no entorno...

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  2. Concordo com a Carla. Dá medo de reservar vaga nesses lugares e não ter como "fugir". Na dúvida, vou para hotéis convencionais, em cidades-destino...

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