Resorts são lugares
perfeitos para relaxar e esquecer do mundo, certo? Nem sempre. Alguns parecem
fazer questão de envolver o hóspede em atividades nas quais ele nem sempre está
interessado em participar. Vejamos dois casos.
O primeiro, no litoral
de São Paulo, contava com uma estrutura excelente e bom serviço. Nele, havia uma
recreacionista, responsável por criar brincadeiras para as crianças e aulas de
hidroginástica para adultos. Ela insistia de forma desconcertante para que os
hóspedes participassem da aula de hidroginástica, que começaria logo após uma
gincana entre crianças. A recreacionista passou de mesa em mesa, convidando as
pessoas a participarem. Até aí, tudo bem. O problema era que, para as que
recusavam, ela insistia; e, diante da negativa, fazia um comentário
constrangedor: "quando terminar o jogo das crianças e eu tiver que escolher a
equipe vencedora, vou te chamar para ser o jurado. Vou colocar no teu, hein!!
Não quer vir para a aula, então vai ser jurado!".
No primeiro caso, há uma falha de postura da
profissional. Duas, mais especificamente. Convidar os hóspedes a participar das
atividades é perfeitamente normal e aceitável; insistir, de jeito nenhum. Esse é
o primeiro erro. O segundo, mais grave, tem a ver com postura. Uma coisa é ser
informal; a outra, vulgar e mal educado. “Vou colocar no teu” não é vocabulário
profissional em lugar algum, seja ele mais descontraído ou não.
No segundo caso, o erro é de concepção de atendimento,
por parte do hotel. De alguns anos para cá, formou-se a convicção de que às
pessoas não bastava desfrutarem de um serviço; elas precisavam ser socializadas,
sentido-se mais do que hóspedes. O resultado, nesse caso, acabou não sendo a
socialização, e sim a importunação. Que existam funcionários para criar
atividades e atender pedidos de hóspedes, perfeito. Que finjam intimidade e se
metam na rotina do cliente, de modo algum.
Num caso ou noutro, fica clara uma mudança no perfil dos
hotéis. Antigamente, ser solícito e prestativo eram os requisitos para trabalhar
em bons hotéis. Hoje, exige-se um pouco de espírito de “animador de auditório”
de alguns funcionários, especialmente em resorts-destino – aqueles em que as
pessoas vão exclusivamente pelo local, e não pela cidade ou região. É
compreensível que devam existir atividades para que os hóspedes não se entediem.
Porém, pior que o tédio, é o aborrecimento de se ver o tempo todo convocado a
fazer o que não se quer ou conversar com quem não se conhece – exigências
típicas da vida profissional da qual todos procuram fugir quando se dirigem a um
resort.
Já tive uma experiência parecida e sempre fico desconfiada desses resorts. É complicado apostar todas as fichas num local só, sem poder contar com nada em volta, sem ter paisagens e passeios no entorno...
ResponderExcluirConcordo com a Carla. Dá medo de reservar vaga nesses lugares e não ter como "fugir". Na dúvida, vou para hotéis convencionais, em cidades-destino...
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