segunda-feira, 23 de julho de 2012

Mesas dançantes

Várias vezes já me aconteceu de chegar em um restaurante e perceber que a mesa estava cambaleando. Os garçons até já tem o "jeitinho" pra consertar o problema: geralmente dobram um guardanapo e/ou porta-copos e usam como calço para a base da mesa, que teima no desequilíbrio. Já semana passada não foi a mesa em si, e o total desequilíbrio que apresentava, que me chamou a atenção, e sim a justificativa do garçom: " todas as mesas estão assim, desde a inauguração nós pedimos pra eles virem reforçar a base de todas as mesas mas sabe como é esse pessoal...". O detalhe é o seguinte: esse restaurante reinaugurou há aproximadamente seis meses!

Quando se fala em arquitetura comercial, e em especial a de restaurantes, sabe-se bem a razão pela qual existam profissionais dedicados exclusivamente a esta atividade. Planejar o espaço físico, tanto aquele visível ao cliente (recepção, salão principal)  quanto aquele imperceptível (cozinha, depósito,etc), não é tarefa fácil. No salão principal é fundamental, por exemplo, que a disposição das mesas facilite o acesso do garçom e dos próprios clientes à mesa. Já outros itens, como venlilação, iluminação, acústica e conforto são atributos que vão interferir diretamente na experiência dos  clientes, e cada mesa pode apresentar uma característica própria, razão pela qual todos os lugares devem ser "testados". No item conforto devem ser testados a praticidade com que o cliente se acomoda na mesa, por exemplo (especialmente no caso de mesas com quatro pés).  Já a acústica geralmente fica prejudicada nas mesas mais próximas aos balcões auxiliares (onde os garçons organizam o material e/ou solicitam bebidas).

As mesas dançantes citadas no relato são daquelas em que há apenas um pé central, o que de fato faz com que, com o tempo e o uso, um desgaste acabe por afrouxar toda estrutura. É o estilo de mesa mais usual em bistrôs, onde não há necessidade premente em apoiar grande quantidade de pratos. Os restaurantes que possuem mesas com pé central, mais suscetível ao "desequilíbrio" e até mesmo aqueles em que as mesas sejam de outros modelos, devem ter em sua rotina pré-abertura das atividades a checagem do nível de conforto (estabilidade) das mesas. Enquanto se faz o mise en place, com a colocação das toalhas e sobretoalhas, e procede-se no alinhamento das mesas, é o momento também de se assegurar sobre a estabilidade das mesas. E não quando o cliente chega, evitando assim o contrangimento de ter que improvisar qualquer coisa para corrigir o que antes poderia ter sido providenciado.

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3 comentários:

  1. Ai, não tem coisa mais irritante mesmo! No Villaró isso sempre acontece e os garçons já confessaram que todas as mesas são iguais. Se sabem do problema, porque nao arruma? A gente sempre acha a decoraçao bonita, mas tem esse lado que os arquitetos tem que prestar atençao...o mobiliario

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  2. é muito chato mesmo ter que chamar o garçom pra calçar a mesa. Esses detalhes deveriam ser conferidos antes, como tu sugere no texto...

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  3. Como diria minha mãe, "coisa que me irrita é mesa bamba em restaurante". Por que não dão um jeito, catzo?!

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