“Vi uma blusa na vitrine e resolvi entrar, para
examiná-la mais de perto. Peguei-a nas mãos e perguntei à vendedora: ‘Que tecido
é esse?’. E ela, bem sincera: ‘Não tenho nem ideia’. Virei a etiqueta e vi: 100%
polyester. Comentei, desanimada: ‘Ah, é polyester...’. E ela: ‘Qual o
problema?’. Eu: ‘Polyester é artificial, esquenta’. E ela: ‘Ah, é?’.
Relato de uma leitora do Rio de
Janeiro
À primeira
vista, a resposta da vendedora sugere má vontade. Mas, na verdade, é sintoma de
despreparo e ignorância.
Despreparo
porque qualquer consumidor um pouquinho mais atento sabe que na própria peça de
roupa constam as informações sobre a sua matéria-prima, modo de lavagem etc.
Algo tão básico que é inconcebível que um vendedor, que lida com o produto todos
os dias, desconheça a ponto de não ser capaz de virar a etiqueta tão logo a
pergunta seja feita.
Ignorância
porque JAMAIS se deve utilizar expressões como “não sei”, “não tenho nem idéia”
etc. Essas expressões, de conotação negativa, devem ser substituídas por
equivalentes mais suaves, que atenuem a falta de uma informação; “um minuto que
vou me informar”, “já verifico essa resposta para a senhora” são as formas
adequadas de lidar com perguntas para as quais não se tem a resposta na ponta da
língua.
Por que
tanto cuidado em evitar respostas 'negativas’? Ora, porque atender envolve
construir uma relação de credibilidade e confiança do consumidor para com o
vendedor. Essa relação simplesmente não combina com confissões despreocupadas –
e até vulgares – de desconhecimento de dados essenciais a respeito do produto ou
da loja. Se desconhecer algo já é um pecado, não demonstrar inteligência para
saber driblar essa deficiência quando diante do cliente é um atestado de falta
de condições para desempenhar a função.
Belo título. O despreparo de alguns vendedores, até para as coisas mais básicas, é impressionante...
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