segunda-feira, 2 de julho de 2012

Se ainda não abriu, por que não fecham a porta?!


Sexta-feira passada o fim de tarde estava convidando para um happy hour. O “veranico”, como se costuma dizer, foi generoso com os bares da cidade, já que o que todos queriam era uma mesa, de preferência ao ar livre, pra servir de pano de fundo para uma boa conversa e um chopp gelado!

Foi com essa “intenção” que saímos, meu marido e eu, do clube onde antes fomos dar umas braçadas na também convidativa piscina. Sabíamos que era cedo (19 horas) para os restaurantes que gostaríamos de ir, mas de qualquer forma, como na região muitos bares, cafés e restaurantes dividem espaço, resolvemos estacionar por ali e tentar a sorte. O restaurante da rua, o que mais gostamos, estava com o portão do antigo casarão aberto. Da rua se viam as mesas que ficam na área externa já prontas, com velas e luminárias dando o toque especial. Não tivemos dúvida: se está com o portão aberto, vamos em frente! Subimos os degraus de pedra e quando estávamos escolhendo uma mesa, chega um rapaz de bermuda e camiseta, muito educando, e nos esclarece: “Boa noite, nós abrimos às 19h30, mas vocês podem ficar à vontade que em seguida o pessoal  se arruma e vem oferecer as bebidas pra vocês.”  Preferimos não ficar, já que outros tantos lugares estavam efetivamente abertos e nós, pós-braçadas, nem um pouco dispostos a esperar os trinta minutos ou mais para beliscar qualquer coisa que fosse.

Como o próprio nome do post sugere, o primeiro ponto a destacar é: se o restaurante não está aberto, por que então a porta, ou portão, não está devidamente fechada?  Uma placa identificando o horário de abertura resolveria bem essa situação constrangedora. Com o portão aberto, as mesas arrumadas e com velas acesas, quem duvidaria que o restaurante estava efetivamente aberto? Na situação descrita, os clientes chegaram e, por sorte, preferiram ficar na área externa. Agora, imaginemos eles entrando no salão enquanto todos os garçons e cozinheiros estivessem se arrumando, lanchando, num clima descontraído, como se imagina que deva ser nos bastidores da função. Muito constrangedor...

Outro ponto importante, e que infelizmente revela uma prática comum, é a falta de cuidado com o mise en place. O procedimento envolve todas as etapas anteriores à abertura do restaurante: alinhamento das mesas, abertura e arrumação de janelas, cortinas e persianas, preparo dos equipamentos de ar condicionado, música ambiente, higienização de todo material a ser utilizado (travessas, bandejas, réchaud, pratos, copos, talheres, etc...), reposição dos galheteiros, dentre outras atividades, de acordo com o tipo de restaurante e o tipo de serviço adotado pelo local. Toda esta etapa prévia à abertura do restaurante aos clientes já é considerada como parte do trabalho do garçom; portanto, não há razão para que o mesmo execute-as sem uniforme adequado. Pode o restaurante providenciar uma roupa especial, menos formal, para estas atividades. Uma camiseta branca ou ainda um avental para proteger o traje completo do garçom seriam boas alternativas. Mas nada, nada justifica que todo esse trabalho seja feito de bermuda e camiseta.
Quando  chegamos num restaurante e vemos aquelas mesas finamente postas, nem imaginamos que, pode sim, ter sido montada pelo garçom em trajes de deslocamento (casa- trabalho ou trabalho anterior- trabalho). Não é nada profissional “fazer pose” na frente dos clientes, tomando cuidado extremo para não tocar no guardanapo, por exemplo, e, no mise en place, relaxar nos cuidados no manejo com os materiais. Num primeiro momento pode o cliente até não perceber, mas quando percebe, pode colocar em jogo toda a credibilidade conquistada pelo atendimento até então.


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