sexta-feira, 29 de junho de 2012

Cidade turística para turistas?


Saímos de Porto Alegre quinta-feira à tarde e o objetivo era subir a serra gaúcha para desfrutar de um final de semana frio e aconchegante. Escolhemos uma pousada em Nova Petrópolis que, já sabíamos, não decepcionaria. Não sabíamos, no entanto, que três dias seriam  muitos para tal experiência. Explico: infelizmente, apesar de todo esforço visível da secretaria de turismo em movimentar a agenda de eventos da cidade, não há atrações que garantam a permanência dos turistas por mais que dois dias (sendo bem otimista) na cidade. Isto até não chegaria a ser um problema pra nós porque não intencionávamos visitar parques, museus, etc, como comumente se faz em cidades turísticas. Queríamos apenas aproveitar o friozinho na lareira, degustar bons vinhos e boa comida. Eis o grande problema: além das raras opções gastronômicas da cidade (na prática, bem menos do que as listadas nos guias de informações locais), há um grande problema: o horário de funcionamento. Na sexta-feira, por exemplo, saímos do hotel às 20h30 e encontramos apenas dois restaurantes abertos, ambos com opções fixas (pizza/ sopa), e com ambientes pouco acolhedores. Os restaurantes que nos pareceram mais aconchegantes, ou estavam fechados ou, pasmem, vendo-nos chegar já informavam em alto e bom tom: “agora já estamos fechando”. Não à toa um café na rua principal, o que servia um modesto buffet de sopas, era o mais movimentado no horário. Com uma fachada bem iluminada, funcionárias vestidas de caipira, em alusão às festas juninas, nos atendiam sem se importar com o horário - que já ultrapassava o de encerramento, previsto para as 22h. Ali sim temos um exemplo de hospitalidade e, sobretudo, de visão empresarial. Ainda no campo de visão, sentimos falta da cultura alemã no modo de servir e na comida típica. Apesar das indicações convidando para um típico almoço alemão, o restaurante que está dentro do Parque do Imigrante, que deveria sim ser o mais típico modelo germânico local, decepcionou, e bastante. O sistema, em buffet, exagera nas variedades e economiza na qualidade. Pratos típicos alemães vi dois ou três, e os que prometem passar nas mesas (carnes), na nossa não passaram. O vinho da casa era de chorar de tão ruim, os atendentes (não podemos chamar de garçons pra não ferir a classe) nem uniformizados estavam, vestiam japonas nada profissionais e pouco menos típicas da cultura alemã, um descaso total com a cultura e com o clima turístico do local.
 Não só na área gastronômica o despreparo é grande. Na sexta-feira, fomos até a rua coberta para pegar o ônibus que faz passeios em duas rotas, uma rural e outra urbana. Ficamos esperando ao lado do ônibus, que tinha uma placa indicativa com os horários de partida e os dias de funcionamento. Ninguém apareceu. Ligamos para o celular para pedir informações e assim nos explicaram: “só estamos saindo aos finais de semana”. Detalhe: três dias antes, aqui em Porto Alegre, no caderno de turismo da ZH nós lemos uma nota divulgando o atendimento do ônibus, que não limitava aos finais de semana, como nos foi informado. A placa que estava no local, ao lado do ônibus, também não tinha nenhum aviso alertando sobre a interrupção do serviço durante a semana.

Resumindo: há cidades turísticas – nas quais essa atividade está profissionalizada, como Gramado e Canela – e há cidades com potencial turístico – como Nova Petrópolis, que nunca deixará de ser mera passagem para suas vizinhas famosas caso não abandone os hábitos de cidade pequena e passe a pensar no conforto e satisfação de seus visitantes.

 P.S.:  Um bom começo seria se inspirar na Pousada da Neve: caprichosa, acolhedora, e extremamente atenta aos detalhes da ambientação e do atendimento. Tudo isso de maneira simpática e despretensiosa.

Um comentário:

  1. Sim, a Pousada e um amor, super bem atendida, muito charmosa, a cidade e isso ahí mesmo.

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