segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Precisa-se de garçom com ou sem experiência

Tem sido frequente a veiculação de matérias relacionadas à falta de mão do obra qualificada na rede hoteleira, em todos os cantos do país. Os profissionais, segundo os órgãos que representam a classe, não têm interesse na profissão, haja visto a baixa remuneração. Para os empresários, fica o difícil desafio de conseguir preencher vagas e, especialmente, reter os talentos, jargão frequente na área de gestão de pessoas.

Ao que parece, a solução seja mesmo criar no estabelecimento comercial uma alternativa atraente aos candidatos, que não raro preferem manter-se com seguro desemprego, bolsa família, dentre outros benefícios do governo. Mais do que isso: criar no jovem uma expectativa de crescimento, ainda que seja visível a limitação da empresa contratante.

Foi-se o tempo, infelizmente, em que a atividade de garçom, por exemplo, era feita com maestria e altivez. Os garçons "antigos", formados há duas décadas, são, sem dúvida, muitíssimo mais preparados que os atuais, que sequer qualificação possuem. As horas-curso diminuíram, as modalidades de buffet hoje possibilitam que um mero carregador de bandeja seja enquadrado como garçom. Uma ofensa aos verdadeiros garçons que, mais do que tirar pedidos e servir travessas são os anfitriões dos restaurantes que mais gostamos, discretos quando necessário, presentes na hora certa e conhecedores do cardápio, dos bastidores da cozinha e de tudo mais que possa interessar ao cliente.

O que dizer aos empresários diante da falta de pessoal qualificado, então?

Perguntem aos garçons de verdade, aqueles que imaginaram a atividade como uma profissão verdadeiramente, e não como uma forma mínima de degrau no âmbito profissional.

A saída certamente trilha o caminho qualificação-reciclagem-avaliação de desempenho.

Explico: o primeiro passo é qualificar o recém-chegado. De nada adianta contratar um garçom com experiência, colocá-lo diretamente ao atendimento se ele sequer domina o cardápio, o ritmo da cozinha, os ingredientes de cada prato, etc. É um custo manter um profissional sem exercer a atividade para o qual foi contratado? Sem dúvida. Mas mais oneroso é colocá-lo para ser o cartão de visitas de seu estabelecimento sabendo, de antemão, do risco que se corre. O treinamento é um tempo precioso e indispensável.

A reciclagem serve também para dar uma perspectiva de crescimento. Quanto mais conhecimento o funcionário adquire, mais funções pode agregar, acarretando no reconhecimento do mesmo; e na remuneração, certamente. Esta última está relacionada à avaliação de desempenho do profissional. É preciso que haja um "plano de carreira", no sentido de dar perspectiva ao funcionário.

Conheço um restaurante em que determinados pratos só são servidos pelos garçons mais experientes. Essa é uma forma de diferenciação e, porque não, de reconhecimento. Vejam que reconhecimento não significa apenas remuneração maior. É possível criar uma cultura de valorização da atividade, seja ela qual for.


Um comentário:

  1. Ah, não tenho dúvidas de que os garçons de antigamente são infinitamente melhores que os atuais...

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