Saímos de Porto Alegre
quinta-feira à tarde e o objetivo era subir a serra gaúcha para desfrutar de um
final de semana frio e aconchegante. Escolhemos uma pousada em Nova Petrópolis
que, já sabíamos, não decepcionaria. Não sabíamos, no entanto, que três dias seriam
muitos para tal experiência. Explico:
infelizmente, apesar de todo esforço visível da secretaria de turismo em
movimentar a agenda de eventos da cidade, não há atrações que garantam a
permanência dos turistas por mais que dois dias (sendo bem otimista) na cidade.
Isto até não chegaria a ser um problema pra nós porque não intencionávamos
visitar parques, museus, etc, como comumente se faz em cidades turísticas.
Queríamos apenas aproveitar o friozinho na lareira, degustar bons vinhos e boa
comida. Eis o grande problema: além das raras opções gastronômicas da cidade
(na prática, bem menos do que as listadas nos guias de informações locais), há
um grande problema: o horário de funcionamento. Na sexta-feira, por exemplo,
saímos do hotel às 20h30 e encontramos apenas dois restaurantes abertos, ambos
com opções fixas (pizza/ sopa), e com ambientes pouco acolhedores. Os
restaurantes que nos pareceram mais aconchegantes, ou estavam fechados ou,
pasmem, vendo-nos chegar já informavam em alto e bom tom: “agora já estamos
fechando”. Não à toa um café na rua principal, o que servia um modesto buffet
de sopas, era o mais movimentado no horário. Com uma fachada bem iluminada,
funcionárias vestidas de caipira, em alusão às festas juninas, nos atendiam sem
se importar com o horário - que já ultrapassava o de encerramento, previsto
para as 22h. Ali sim temos um exemplo de hospitalidade e, sobretudo, de visão
empresarial. Ainda no campo de visão, sentimos falta da cultura alemã no modo
de servir e na comida típica. Apesar das indicações convidando para um típico
almoço alemão, o restaurante que está dentro do Parque do Imigrante, que
deveria sim ser o mais típico modelo germânico local, decepcionou, e bastante. O
sistema, em buffet, exagera nas variedades e economiza na qualidade. Pratos
típicos alemães vi dois ou três, e os que prometem passar nas mesas (carnes),
na nossa não passaram. O vinho da casa era de chorar de tão ruim, os atendentes
(não podemos chamar de garçons pra não ferir a classe) nem uniformizados
estavam, vestiam japonas nada profissionais e pouco menos típicas da cultura
alemã, um descaso total com a cultura e com o clima turístico do local.
Não só
na área gastronômica o despreparo é grande. Na sexta-feira, fomos até a rua
coberta para pegar o ônibus que faz passeios em duas rotas, uma rural e outra
urbana. Ficamos esperando ao lado do ônibus, que tinha uma placa indicativa com
os horários de partida e os dias de funcionamento. Ninguém apareceu. Ligamos
para o celular para pedir informações e assim nos explicaram: “só estamos
saindo aos finais de semana”. Detalhe: três dias antes, aqui em Porto Alegre,
no caderno de turismo da ZH nós lemos uma nota divulgando o atendimento do ônibus,
que não limitava aos finais de semana, como nos foi informado. A placa que
estava no local, ao lado do ônibus, também não tinha nenhum aviso alertando
sobre a interrupção do serviço durante a semana.
Resumindo: há cidades turísticas –
nas quais essa atividade está profissionalizada, como Gramado e Canela – e há
cidades com potencial turístico –
como Nova Petrópolis, que nunca deixará de ser mera passagem para suas vizinhas
famosas caso não abandone os hábitos de cidade pequena e passe a pensar no
conforto e satisfação de seus visitantes.
P.S.:
Um bom começo seria se inspirar na Pousada da Neve: caprichosa,
acolhedora, e extremamente atenta aos detalhes da ambientação e do atendimento.
Tudo isso de maneira simpática e despretensiosa.
Sim, a Pousada e um amor, super bem atendida, muito charmosa, a cidade e isso ahí mesmo.
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